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Raquel Serafim

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O que o "lead jornalístico" ensina aos empreendedores

Posted by Raquel Serafim on May 23, 2014 8:10:51 AM

Conversando com investidores e profissionais que selecionam Startups para os mais variados programas de aceleração, notei a recorrência de um problema: a apresentação do projeto. Empreendedores têm de desenvolver o seu Pitch, contendo apenas informações essenciais e diferenciadas. Ou seja, ainda é um ponto delicado realizar uma apresentação sumária de três a cinco minutos, com o objetivo de despertar o interesse da outra parte (investidor ou cliente) pelo seu negócio.

Às vezes que percebo esta situação recordo-me dos tempos de universidade e das primeiras aulas de jornalismo, quando fui apresentada ao lead jornalístico. Esse pequeno termo em inglês traduz a função de introduzir e prender a atenção do leitor no texto. No caso do jornalismo, ele é aplicado no primeiro parágrafo de uma reportagem ou press release (texto desenvolvido por assessorias de imprensa) e busca responder às questões principais em torno de um fato. São elas: o quê, quem, quando, como, onde, por quê.

Um bom lead é capaz de convencer um leitor a seguir com a leitura, ou pelo menos cumpre a sua função primordial, que é de informar de forma tão eficaz que o leitor poderá interromper a leitura no primeiro parágrafo e, ainda assim, estará a par da notícia. Para quem quer entender como isso é feito, vale a pena buscar boas referências nos principais veículos de comunicação e observar a fórmula.

Da mesma forma que o Lead busca informar de forma rápida e objetiva sobre um determinado fato, o empreendedor que está se submetendo a um Pitch deve desempenhar igualmente bem esse papel no momento da sua apresentação. Quando está se apresentando ou participando de alguma competição, quem está à frente da empresa terá que responder algumas perguntas, que não necessariamente são as mesmas apresentadas num jornal – a clareza e objetividade das informações devem seguir o mesmo caminho.

Uma sugestão simples de estrutura é:

1 - Diga por que sua empresa existe
Explique de forma rápida o que ela faz e como faz.

2 – Quais problemas visa solucionar?
Apresente bem o mercado em que atua (que justifique sua permanência nele) e as principais soluções existentes até a sua empresa. Vale usar números confiáveis e atuais, caso encontre.

3 – Explore seus diferenciais
Mostre no que você é melhor que as demais soluções e porque esses diferenciais podem significar maior chance de sucesso. Apresente de forma bem sucinta a equipe envolvida no projeto.

4 – Mostre para onde sua empresa pode crescer
A famosa escalabilidade: diga para quais mercados o modelo de negócio pode ser replicado e quanto de ganho isso pode significar.

5 – Diga o que está buscando
Deixe claro se quer investimento, infraestrutura ou qualquer outra coisa e mostre como esse recurso será utilizado. Muitas vezes os profissionais se esquecem de deixar claro o que estão buscando.

6 – Se prepare para as perguntas
Faça um arquivo com todas as possíveis perguntas que farão a você e já as responda antecipadamente. Dessa forma, ficará mais fácil organizar as ideias no momento de tensão.

A estrutura anterior pode ser adaptada para atender às necessidades específicas de uma startup, no entanto, é essencial que no momento de falar o empreendedor saiba exatamente o que quer comunicar e que o diga logo, sendo objetivo, usando bloco de informação. Evite palavras de difícil pronúncia, termos técnicos pouco conhecidos ou situações obvias demais. Bom Pitch!

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Barreiras psicológicas geram ruídos e prejudicam seus negócios

Posted by Raquel Serafim on May 6, 2014 8:16:39 AM

A dificuldade de conversar em um telefone que apresente chiado dificulta a inteligibilidade do que está sendo dito do outro lado da linha. Ou uma conversa em lugar público, onde haja muito barulho de carros e pessoas falando alto exemplos claros de ruído na comunicação. Usa- se o termo ruído em referência a sons (ou ausência deles) que causam interferência, dificultando a comunicação entre pessoas. Essas são empecilhos externos que dificultam um diálogo, ou seja, a informação que é falada não chega da forma esperada para quem a recebe.
Mas há, ainda, outras barreiras que podem atrapalhar o fluxo de informações. No dia a dia, nos deparamos com barreiras psicológicas provindas das diferenças individuais e podem ter origem em aspectos do comportamento humano. Conseguir identificá-las é o primeiro passo para melhorar. A primeira delas a se observar é a timidez.

Alguém que precisa ser o porta-voz de uma empresa, porém, não se sente confortável para isso por ser inibido, pode prejudicar a imagem da instituição em que trabalha se não estiver preparado. Durante uma apresentação poderá gaguejar ou falar com a voz em tom baixo demais, quase inaudível. Se a conversa estiver sendo com o publico externo, a imagem da empresa pode ser maculada e vinculada à insegurança do representante que está ali, em público. Agora, se a conversa for com o público interno da empresa, dificilmente essa pessoa será vista como líder, que consegue apontar os caminhos a serem seguidos.

Há duas formas para sair desse problema: encontrar outro porta-voz, que não se intimide com o público ou trabalhar a comunicação do já designado representante institucional – que poderá fazer aulas de teatro como ferramenta para vencer a timidez, participar de aulas de retóricas, para ajudar com técnicas, ou passar por um bom treinamento de mídias (media training), ajudando-o a lidar com os diversos tipos de situações que, geralmente, enfrentam líderes à frente de instituições privadas e públicas.

O segundo ponto comportamental que pode ser um dificultador da comunicação é o chamado ouvido seletivo. Mesmo não sendo de forma proposital, há situações em que o emissor da mensagem fica sugestionado a ouvir ou entender apenas o que é de seu interesse – ou o que coincida com a opinião dele.

Durante o media training que ministro a empresários e executivos que precisam se comunicar melhor diante da imprensa, em entrevistas, peço sempre para se certificarem de que compreenderam a pergunta do jornalista antes de respondê-la. Muitas vezes os profissionais acham graça, imaginando que um tanto quanto obvio entenderem de primeira as perguntas, mas não é. No entanto, leve a sério o conselho e treine ouvir o que estão te dizendo, e não o que você gostaria ou acha que está ouvindo. Faça exercícios de escutatória no dia a dia, se liberte de opiniões pré-formadas e ouça o que estão te dizendo. Certamente terá bons resultados também na hora de se comunicar no ambiente profissional.

O terceiro e, talvez, o mais novos dos problemas comportamentais enfrentados nas empresas – que vem ganhando força com as constantes inovações tecnológicas – é a incapacidade de entender novos conceitos que são colocados no mercado. O ser humano tem a necessidade de quando exposto a um conceito novo, buscar no seu HD interno quais são as lembranças mais parecidas que conhecem sobre o assunto. É a assimilação por familiaridade. Mas, nos dias atuais em que conjunto de ideias e valores são apresentados quase que diariamente, somos constantemente convidados a pensar fora da caixinha – romper com conceitos que conhecemos e permitir a formação de uma nova ideia.

Por fim, se você é alguém que quer expor esse conceito novo, terá que ser bastante didático e aproximar o tema do público das informações utilizando alguns conceitos conhecidos – aproximando do que pode formar a ideia correta-, a fim de ajudar na construção do novo na cabeça dos receptores da mensagem a ser transmitida. Já, se você está na audiência, e está sendo exposto a uma explicação, tente limpar a sua mente e deixando-a livre para receber novas informações e criar novos conceitos. Ouvir, escutar e aprender eleva o conhecimento e melhora a vida de quem fala e de quem recebe informações. Afinal, comunicação não é o que você fala, mas o que o outro entende.

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